Visão

A força das mulheres de “Salto Alto”. Obrigado Cristiana!

Por a 16 Setembro, 2018

 

Em primeiro lugar quero agradecer ao André por me ter convidado para contar a minha história. Normalmente quando nos pedem para escrever sobre nós, não gostamos. Dizemos que não queremos. Mas quem melhor que nós para escrever sobre nós? Sobre a nossa história? Por essa razão, aceitei de imediato o convite.

 

Vamos a isso?

É claro que não vos vou contar a minha vida desde que nasci, nem falarei sobre a minha família. Isso não é interessante e o importante é conhecerem o que me traz até aqui.

Há 7 anos nasceu o Salto Alto, um blog e o projecto que se tornou o meu projecto de vida. Digo sempre que é o meu bebé. E este ano já está na escola primária.

Voltando 7 anos atrás, estava eu no meu primeiro ano da faculdade em Comunicação Social em Abrantes e numa cadeira chamada Comunicação Online fui literalmente obrigada a criar um blog. Dizia a professora que era um trabalho obrigatório e se não fizesse ia a exame. Ora, eu não queria ir a exame de uma cadeira tão prática. Ainda me lembro de pensar: O que será um exame disto?!

Foi então no dia 16 de Outubro de 2011 que nasceu o Salto Alto.

 

 

Na altura poucos eram os blogs neste mundo da blogosfera. Eu não conhecia nenhum. Fiquei a conhecer a partir daí. Tive de alimentar o meu durante um semestre inteiro. Afinal de contas eu ia ter uma nota e queria que fosse boa. Um dos meus primeiros posts foi sobre a Moda Lisboa, evento à qual nunca tinha ido. Eram tão básicos que hoje em dia sinto saudades de ser tão simples.

Os meses passaram e chegou o fim do semestre. Era a pessoa da turma com mais posts e que mais tempo dedicou ao blog. Isso reflectiu-se na minha nota. Foi um 18. Dei por mim a pensar que se calhar afinal tinha jeito para aquilo. Ao jeito (modestia à parte) aliou-se a paixão. Naqueles meses de trabalho forçado, desenvolvi uma paixão que mal sabia, ainda estava a começar por aquela página na internet que era tão minha.

Escusado será dizer que continuei com o blog. Não foi fácil. Não era compreendida. E foram até criados blogs para gozar com o meu. As minha colegas de turma gozavam com o que escrevia e com as minhas fotos. Comecei a receber comentários anónimos. Foi difícil, chorei, pensei em desistir. Mas a minha mãe sempre disse que quando tens pessoas a falarem mal de ti, é inveja. E na altura sabia-me bem que tivessem essa inveja de mim.

Abrantes ficou para trás e seguiu-se Beja. Outra cidade onde não era compreendida. Ninguém percebia bem o que eu fazia no blog, porque passava tanto tempo a escrever artigos, a fotografar… Foi em Beja que o blog começou a crescer e ser reconhecido, mais ou menos dois anos depois da sua criação (nada é imediato).

Foi também nesta altura que comecei a perceber como é que tudo isto funcionava. Se antes achava que comprar produtos e falar deles no blog é que era, comecei a perceber que existiam agências que faziam a comunicação das marcas e que era através delas que recebia os produtos e que era convidada para eventos. E-mails enviados foram aos milhares (é mesmo!).

Depois desses primeiros contactos, recebia dezenas de e-mails semanalmente que respondia ao fim-de-semana quando ia a casa (sou de Tavira).

Durante os dois anos em Beja foram centenas os fins-de-semana em que deixei de estar com amigos e família para fotografar os produtos que recebia, editar as fotos e agendar conteúdos para a semana. Era uma rotina que eu adorava. Cheguei a acordar às 6h30 da manhã no Inverno para fotografar com a melhor luz do dia (se isto não é amor, não sei o que será?!).

Comecei a ser convidada para imensos eventos e a ter reuniões em Lisboa. Tornou-se bastante difícil conseguir conciliar as aulas e as viagens. Os autocarros não eram muitos de Beja/Lisboa/Beja e acabava por perder um dia inteiro em viagem. Apesar de adorar vir a Lisboa, tornou-se cansativo, caro e incomportável.

A decisão de pedir transferência para uma faculdade em Lisboa e vir para cá definitivamente foi muito ponderada.

O meu sonho sempre foi viver cá e nunca o escondi. Desde miúda que o dizia a toda a gente. A minha mãe sempre disse que era um capricho de miúda. Mas eu sabia que não. Ano após ano a vontade só aumentou. Em Agosto de 2015 fiz os papéis. A 7 de Setembro tive a confirmação. Lisboa era agora o meu futuro. E o meu sonho estava prestes a tornar-se realidade. Chorei muito muito muito de felicidade. Aquilo que sempre quis estava agora diante de mim.

 

 

Foi a 15 de Setembro de 2015 que a minha vida mudou para nunca mais ser igual a todos os níveis.

Falando do que realmente me trouxe aqui. Apaixonei-me de tal forma pelo blog e pela área do marketing que no final do primeiro semestre aqui não quis continuar. Fui fazer uma academia de marketing digital. Queria poder aplicar conhecimentos ao blog e poder vir a trabalhar na área. Comecei a trabalhar em marketing digital 5 meses antes de acabar a academia e até hoje nunca mais parei. 🙂

O blog cresceu, cresceu, cresceu… E o facto de estar em Lisboa e perto de tudo e onde tudo acontece ajudou muito. As marcas passaram a conhecer-me, outras bloggers, as agências. Tudo jogou a meu favor. Eu só tinha de ir na viagem.

Os números aumentaram, as parcerias, os contratos… Estava (e estou) a viver o meu sonho.

Se tudo isto é fácil? Não, de todo. Exige muita disciplina, esforço, dedicação e acima de tudo amor. Nada disto se consegue sem amor. É por isso que quando me dizem que querem criar um blog, porque sabem aquilo que se pode ganhar com isto, eu digo: criem. Criem, vejam o trabalho que dá e daqui a uns meses falamos.

Criar blogs e escrever hoje em dia só não chega. Há milhares de blogs. Temos de ser diferenciadores. Temos de ser mais giros, mais criativos.

Se tiverem tudo isto, digo-vos: É do caraças.

Não consigo expressar por palavras tudo aquilo que o blog já me deu. E todas as emoções e sensações que já me fez sentir. É mesmo parte de mim.

De todas as vezes em que pensei desistir e não o fiz, só penso: Ainda bem. Este blog, esta página pública acessível a toda a gente é a minha vida.

De menina de 18 anos a mulher de 26, já vivi muita coisa e aquilo que era um trabalho da faculdade, cresceu comigo e é hoje um trabalho sério.

Como costumo ouvir por aí: Arranja um trabalho que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.

Se tiver inspirado uma pessoa que seja, já valeu a pena escrever este texto. E lembrem-se de nunca desistir dos vossos sonhos.

Cristiana Rodrigues

https://blogsaltoalto.com/

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ANDRÉ NAVE
Lisboa, Portugal

André Nave, mais conhecido por “Nave”, jovem empreendedor, tem 25 anos, nasceu num seio familiar honesto e trabalhador, tímido, mas com objetivos e sonhos grandes. Finalizou a sua licenciatura de Comunicação e Marketing em 2014, onde trabalhava em cafés e call centers enquanto estudava, de seguida ingressou na sua área, no mercado tradicional, em empresas multinacionais, estava completamente iludido sobre o seu futuro de vida, tendo tomado uma decisão inequívoca de lutar pelos seus sonhos, utilizando a mentalidade empreendedora como veículo.